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Com onda antifascista, é possível ganhar a eleição

“Essa eleição é a somatória de todos os medos. Fizeram nos EUA e estão fazendo aqui. Só tem uma coisa que destrói o ódio: e o medo da violência fascista. O que que tem que ser feito agora é uma onda, uma onda antifascista. Como no futebol, a onda pode existir e virar essa eleição. Dá para virar”.

É o que afirma Sérgio Amadeu, sociólogo e especialista de mídias digitais, em entrevista ao TUTAMÉIA (acompanhe no vídeo acima). Professor da Universidade Federal do ABC e membro do Comitê Gestor da Internet, ele dá dicas de como proceder nessa reta final da eleição.

“Não abandone aquele grupo de Whatsaapp que tem aquele tio, ou do dos amigos da escola. Com os fascistas e o bolsonaristas você não vai fazer nada. Mas tem muita gente lá que se incomoda com o caos que eles querem trazer, se incomoda com a violência descabida. Você que tem uma relação afetiva com as pessoas vai fazer efeito. Você tem que falar com as pessoas que você conhece e mostrar que o seu amigo está sendo agredido, que você foi agredido, que há ameaça de morte, que o programa de governo não tem nada, que ele já disse que não entende de economia e administração, que vai fazer as coisas que ele e sabe fazer: matar, perseguir. As pessoas têm que sair da orbita do ódio. Estamos correndo um risco civilizatório”.

E reforça:

“Vá para o seu grupo, fale com quem você conhece, ligue, marque encontro. Você vai decidir essa eleição. Você precisa fazer uma lista e voltar aos grupos de Whatsapp da família. Mostre um monte de vídeos de Bolsonaro. É a melhor campanha. Faça um vídeo seu e fale que você tem medo, que você não pode viver num país assim, que apontar uma arma não é o futuro. Isso é a tragédia. É preciso democracia. Que um fascista no governo vai comandar horda de bárbaros e dar incertas pelo Brasil, xingar e dizer que vai matar. As pessoas têm medo da degringolada no país. Não há 40% de fascistas; ele tem 20%; os outros 20% estão na vibe. Vão se descolar disso. Vamos virar. As pessoas podem mudar de opinião. Eleição é onda”.

“AMERICANOS ESTÃO POR TRÁS DISSO”

Amadeu enxerga interferência norte-americana em todo esse processo.

“Os norte-americanos não dão ponto sem nó. Têm vários interesses geoestratégicos. Eles já articularam o golpe que derrubou a Dilma. Articularam isso com o judiciário. Donald Trump e aquela ultradireita norte-americana está agindo no Brasil.  Bolsonaro eleito, entrega concessões na Amazônia para os EUA. Vai entregar Alcântara. Ele é um entreguista. Os militares são protoamericanos. Vão dar um cala-boca e entregar. Os americanos estão por trás disso”.

Para ele, há divisão na elite dos EUA e Trump quer uma guerra. O alvo seria a Venezuela. Uma vitória de Bolsonaro faria com que o Brasil apoiasse os EUA até com o envio de tropas. Para Trump uma guerra traria pontos nos embates internos que ele trava.

Nesta entrevista, Amadeu disseca como a mídia digital (facebook, Whatsapp etc) está sendo usada, como se constroem os perfis dos usuários, como as mensagens são direcionadas para públicos específicos.

“São técnicas de direita norte-americana; estão sendo aplicadas aqui desde 2014. Eles atuam para destruir qualquer parâmetro racional, porque não têm como ganhar esse debate. É desinformação comendo solto, trabalhando a ideia do ódio, espalhando boatos. Eles têm uma convicção que a humanidade vai melhorar se for reduzida a diversidade e se as empresas tiverem liberdade total”.

Mas, como no futebol, é possível virar o jogo. Diz Amadeu: “Dá para virar com calma e firmeza. Calma não é moleza. Vá para os grupos, para a família, converse pessoalmente”.

Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena

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