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Olivia Hime faz CD lindo

por Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

O lindo disco de Olivia Hime, Espelho de Maria – Canções de Dori Caymmi, Edu Lobo e Francis Hime (Biscoito Fino), reflete seu universo de êxtases e afeições.

Interpretando canções dos três gênios, Olivia (idealizadora e diretora artística do CD) selecionou belíssimas composições “lado B”, músicas nem tão conhecidas dos três compositores que formam a santíssima trindade da música brasileira atual.

Singrando mares inexplorados, Olivia Hime chega a uma ilha desconhecida até por ela mesma. Deposita o reflexo de um espelho – transparência reveladora de sua alma. Queima as caravelas e põe-se em fundo silêncio. Compreensível impulso, posto que sua vida esteve sempre explicita nas canções que a conduziram mundo afora.

Olivia acertou ao deixar à mostra a própria alma. Instante em que o reflexo do espelho, revirando-se ao avesso, emoção grudada em cada órgão de seu corpo, escancarou os seus propósitos: paixão acima de tudo!

Apaziguada, permitiu-se revelar suas entranhas. E assim, ela escancarou o mapa de seu caminho – visível apenas através de sua voz poética – e revirou-o ao avesso. Emoção exposta em cada naco do corpo.

“Pelo amor de Deus, não vê que isso é pecado”, deixar-me assim curvado, agora imerso em silêncio abissal?

Hoje, Olivia pode se deixar ficar em recatada calmaria, pois ela, cantando como se orasse à beleza, confessou-se através de um repertório que a representa, posto que as músicas foram escolhidas por ela e por Francis.

Cantando, Olivia é puro amor. Alimentada de música, seus agudos e graves revelam-se de forma insofismável. Uma cantora em estado de graça!

“Pelo amor de Deus, não vê que isso é pecado”, deixar-me carregar minha imensa tristeza, ainda que ela me conceda um pouco de alegria como a que sinto agora?

Francis Hime, Paulo Aragão (violonista, produtor musical e diretor de estúdio) e Dori Caymmi criaram arranjos formidáveis, incrementados ora pelas cordas, ora pelos sopros, que interagem à perfeição com o ritmo e os instrumentos de harmonia. Através deles, as músicas ganham momentos intensos, contribuindo para que o álbum seja demolidor.

Divididos em três suítes, os arranjos são plenos de citações musicais e de momentos apenas instrumentais. Destaco na suíte de Dori: “Música no Ar” e “Canção Sem Fim”, ambas de Dori e Paulo César Pinheiro; na de Edu: “Sobre Todas as Coisas” (Edu e Chico Buarque) e “Memórias de Marta Saré” (Edu e Gianfrancesco Guarniere); e na de Francis: “O Amor Perdido” (Francis e Geraldo Carneiro) e “Vermelha” (Francis e Olivia Hime).

“Pelo amor de Deus, não vê que isso não é pecado”, eu sentir as músicas me tonteando e me fazendo chorar?

Mas se porventura, algum poder maligno ousar impedir que a voz de Olivia Hime chegue a mim, mesmo que meus ouvidos estejam moucos, bradarei: “É louco!”

PS 1. Peço desculpas ao Chico por me valer das súplicas de “Sobre Todas as Coisas”, usando o verso que é dele, não meu.

PS 2. Pressinto que o álbum da Olivia seja precioso roteiro para um musical.

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Rodolfo Lucena

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