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Resistência precisa rimar com ação, diz trompetista

Sua arma é a LLP2018. É dourada, e ele a carrega num estojo com forro aveludado. Ele a saca nos mercados, shoppings e ruas. Logo depois, uma multidão o segue entoando o Lulalááá.
Aos 39 anos, Fabiano Leitão virou trompetista-celebridade. É o destaque de manifestações-relâmpago que estão acontecendo pelo país afora pela libertação de Lula. Ao TUTAMÉIA, ele fala de sua trajetória e mostra sua “máquina com mira telescópica para pegar golpistas”.

A entrevista foi na manhã deste domingo, 26.8 –ele aproveitou o fim de semana para participar de dois lulaços em São Paulo. No sábado, esteve na praça Benedito Calixto, local de uma tradicional feira de artesanato.

No domingo, esteve no Mercado Público de São Paulo, em manifestação que também foi acompanhada pela reportagem de TUTAMÉIA.

Antes, deu entrevista para os tutas, contando como teve a ideia de interferir nas transmissões da Globo. Primeiro, aparecendo fisicamente nas transmissões ao vivo. Depois, ficando bem longe dos repórteres, mas fazendo seu trompete ecoar na telinha. Agora, participando de protestos alegres, que têm reunido centenas em locais de grande circulação.
“Acho linda a palavra resistência. Você se lembra do Quilombo dos Palmares. Mas acho que tem que colocar a palavra resistência juntamente com a ação. Com resistência se tem a imagem de recuo. Ação é ataque organizado, contundente, tático, disciplinado. A gente precisa organizar esse povo, treinar nossa militância. O nosso líder precisa da gente, e a gente precisa estar focado nisso. Precisa de ação o tempo todo, a toda hora”, diz Fabiano. E segue:
“Não adianta ficar debatendo no Facebook, criando até inimizade com pessoas que pensam diferente de você. A gente precisa de ação. Precisa ocupar os espaços, ocupar os espaços até da elite, os shoppings da elite para mostrar que a gente tem força para apavorar essa elite que apavora a gente. É ação, gente! Não é ficar em casa. É ocupar os espaços, estar na rua sempre”.


Músico, Fabiano rememora ao TUTAMÉIA como, desde pequeno, sua mãe o levou a manifestações políticas em Brasília, onde nasceu. Ele não conhece o pai. Na família da mãe, do Piauí, ele soube das atrocidades da ditadura militar. Seu tio Francisco Celso Leitão, um líder estudantil, foi assassinado pela repressão. Familiares foram perseguidos.
Depois de trabalhar como operário no Japão, Fabiano está no segundo casamento, tem dois filhos (de quatro e dois anos) e se empenhou em projetos sociais. Dias atrás, num shopping em Brasília, ele diz que ficou com alguma tensão: na multidão, estavam sua mãe, sua mulher e seus dois filhos. “Os meninos choravam porque queriam me abraçar. Já são militantes”.
Fabiano narra como músicos estão usando vários instrumentos para multiplicar pelo país as manifestações-relâmpago. O olêolêolêoláLuláLulaaa está sendo entoado por trombonistas, saxofonistas, acordeonistas.
“A arte é progressista. Quando vejo um artista conservador, isso é um contrassenso absoluto. Porque arte é desenvolvimento de novas ideias. Não tem nada a ver conservadorismo. Quando você vê um artista conservador, a produtividade criativa do cara está sendo ceifada. Ele só vai repetir. É uma coisa absurda ter um artista conservador”.
Fabiano também fala de hostilidades que sente, especialmente nas redes sociais:
“Há pessoas estão doentes. A culpa não é delas, é da mídia golpista, que fez ressuscitar esse desejo de intervenção militar maluca. São pessoas pegas pelo ódio, é uma patologia. Mas muitos deles estão acordando”.
LLP2018 significa Lula Livre Presidente 2018.

Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena

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