Sign in / Join
Header Banner

Marx, 200, criou novo continente teórico

No aniversário de 200 anos do nascimento de Karl Marx, TUTAMÉIA convidou a economista Leda Paulani para analisar a obra e o legado do pensador revolucionário que, unindo teoria e prática, segue inspirando lutas sociais em todo o mundo.
Professora aposentada USP e pesquisadora e docente convidada da UFABC, ela é uma das mais profundas conhecedoras do marxismo no Brasil. Nesta entrevista, Leda discorre sobre a produção teórica do filosofo, do seu contexto histórico e das lutas sociais em que atuou. Fala do desenvolvimento capitalista, de suas crises recorrentes no mundo e do Brasil.


Para ela, Marx (5 de maio de 1818-14 de março de 1883) é um divisor de águas na construção da sociedade moderna e suas ideias são absolutamente atuais. “A maior parte das previsões de Marx se confirmou completamente”, diz.
Refutando o discurso do liberalismo –que defende a eficiência absoluta do mercado—, Marx construiu todo um arcabouço teórico. Paulani assinala que Marx combinou o idealismo alemão, principalmente o hegelianismo, no qual foi formado, com a economia política inglesa.
Essa conjugação, ressalta a economista, deu a Marx a “capacidade de perceber e de levar até o último plano o desenvolvimento das contradições que estão na base do capitalismo”. Outros autores que o precederam, mesmo da tradição do valor trabalho, não tiveram essa formação filosófica e não conseguiram perceber essa questão crucial.
“Ele cria o novo continente teórico. Ele é herdeiro da economia política inglesa e do idealismo alemão. A forma como a ciência econômica nasce é pela via da teoria do valor e do trabalho. Não é essa ciência econômica que hoje se ensina nas faculdades e que está como uma praga na nossa mídia, dando a informação contrária do que é de fato [real]”, afirma.
Conforme Leda, “o marxismo teve enorme influência da evolução da luta de classes a partir do século 19. Se os trabalhadores não foram capazes de ler “O Capital”, seguramente o movimento social, por meio de suas lideranças nos sindicatos e partidos de esquerda, passou a ter enorme influência do pensamento marxista. Tudo que a classe trabalhadora conquistou em termos de direitos nesse período tão conturbado decorre disso”.
“Depois de Marx, é impossível negar que a riqueza social é produzida pelo trabalho e que os trabalhadores estão sempre em posição inferior dentro do jogo capitalista. E que, de alguma maneira, o Estado tem que reparar isso”, declara.
Para além da formulação teórica, Leda ressalta a intensa atividade política do pensador. “A vida toda, ele combinou dois lados: o do avanço teórico –porque ele tinha uma necessidade interior de entender– e de, com isso, fomentar a luta de classes, a luta dos trabalhadores. Ele participava como elemento vivo das discussões, das associações. Por isso ele vai sendo banido de vários lugares”.
Mais do que uma entrevista, o encontro com Leda no TUTAMÉIA foi uma aula de história, política, economia, sociedade, ideologia. Atualíssima.

Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena

Leave a reply