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Quatro malucos geniais

por Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

Toda vez que eu recebo um disco novo Maogani, a minha caixola ferve e chacoalha: algo se aloja no socavão dos meus neurônios e detona a vontade de por o CD para tocar.

O Quarteto Maogani é Carlos Chaves (violão de sete cordas), Marcos Alves (violão tradicional, com seis cordas), Maurício Marques (violão requinto e violão de oito cordas) e Paulo Aragão (violão de oito cordas).

Chaves faz com o sete cordas o que Dino Sete Cordas e Raphael Rabello fizeram. Os dois deixaram a porta aberta para que um violonista como Carlos pudesse elevar o instrumento ao infinito.

Alves tem a sabedoria de sentir que o papel do seu instrumento é segurar a onda da harmonia. Mas, em compensação, quando lhe abrem compassos para improvisar, ele se farta de revelar sua múltipla criatividade.

Já Marques é uma escola para o violão requinto. Quando nas mãos certas, esse instrumento pouco conhecido tem no instrumentista um bandeirante desbravador.

O violão de oito cordas tem no quarteto dois instrumentistas. O sabor do de Marques está na sonoridade que o instrumento só proporciona aos que têm o poder de valorizá-la, enquanto Aragão tem nele um companheiro de fé, daqueles que o instrumentista tem vontade de levar para a cama – se neguinho bobear, Aragão toca o dia inteiro sem parar.

Hoje, o Quarteto Maogani lança o Álbum da Califórnia (Biscoito Fino). Foi assim: a convite de Sergio Mendes, os meninos participaram do novo CD do pianista e abriram o seu show no Hollywood Bowl, em Los Angeles (2006). E foi lá que Sergio incentivou o quarteto a gravar uma “demo”.

Em 2009 veio o convite para gravar um disco. Era como um sonho para o Maogani… Porém, sabe-se lá por quê, o projeto dançou. E a vida dos quatro músicos seguiu.

Corria o ano de 2017 quando Sergio Mendes encaminhou um presente para o quarteto: um HD com tudo o que havia sido gravado na “demo”. O Maogani caiu dentro: o CD novo dava pinta.

Com arranjo de Paulo Aragão, “I Got Rhythm” (George e Ira Gershwin) vem ligada com “Surfboard” (Tom Jobim). A intro tem o violão de oito tocando um desenho mântrico. Os outros instrumentos vêm junto. E a doideira instrumental come solta… Meu Deus!

Com arranjo de Paulo Aragão e Maurício Marques e participação especial de Marcos Suzano, o Maogani reforça a sua genialidade. E “Cravo e Canela” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos) chega suingada. O tambor de Suzano entra na doideira… os malucos agora são cinco.

“Frevo Rasgado” (Gilberto Gil e Leonardo Bruno) tem arranjo de Carlos Chaves e participação de Hamilton de Holanda e Suzano. A intro traz os violões em uníssono. Logo o tambor e o bandolim vêm e juntos fervem a chapa.

Marcos Alves e Paulo Aragão fizeram o arranjo para “Chovendo na Roseira” (Tom Jobim). A participação das vozes de Monica Salmaso e Renato Braz fazem da leveza do arranjo a fortaleza jobiniana.

É através da genialidade de músicos como os do Quarteto Maogani que a música instrumental brasileira amadurece e se faz indispensável.

Rodolfo Lucena

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