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Osvaldão do Araguaia

Osvaldo Orlando da Costa
Nascimento: 27 de abril de 1938
Cidade natal: Passa Quatro – MG
Morte: abril de 1974
Região final: matas do Araguaia
Causa da morte: tiro
Status: desaparecido

A Guerrilha do Araguaia tem uma narrativa fragmentada. Um quebra-cabeça de fatos e versões. Há uma névoa. Em grande parte por insistência das Forças Armadas em negar que os acontecimentos tenham acontecido. Seguindo a ordem de matar e ocultar, quase meio século depois, dezenas de militantes seguem na macabra lista de desaparecidos. Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão do PCdoB, é um deles.

Apontado como o primeiro militante a chegar no Araguaia, em 1966, e um dos últimos eliminados por volta de abril de 1974. Nesses oito anos, Osvaldão ficou famoso, entre os camponeses da região, por ser profundo conhecedor da arte de escapar, se esconder, sobreviver. Tal capacidade irritou bastante os militares, a ponto de sua captura ser tratada como questão de honra. Quando o exército infiltrou agentes entre os militantes, a lógica era serem discretos. Com exceção do Osvaldo: Se trombarem com ele, eliminem. Mesmo que isso estragasse o disfarce.

Antes do Araguaia, o mineiro de Passa Quatro viveu na capital da ex-Tchecoslováquia, onde cursou até o terceiro ano de Engenharia de Minas. Homem negro, quase dois metros de altura, 100 quilos, boxeador amador, carismático ele fez furor no leste europeu. Quando cheguei em Praga, os meninos passavam saliva no dedo e esfregavam meu braço, para ver se a cor da minha pele saía. Eles nunca tinham visto um negro. Segundo o escritor theco Cytrian Ekwensi, o brasileiro literalmente “parou a cidade”.

Muito se conta de Osvaldão no Araguaia, alguns matutos o consideravam imortal. Soldados temiam sua força e astúcia. Mas tudo isso terminou no dia que um tiro voou em sua direção. Testemunhas relatam que, na sequência, os militares içaram o morto por helicóptero e expuseram o cadáver para intimidar os camponeses. Depois cortaram sua cabeça e deram sumiço no corpo. Restaram a fama, a lenda, as lacunas da história. (texto Fernanda Pompeu, arte Fernando Carvall)

Rodolfo Lucena

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