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“Poderemos criar exército de PhDs trabalhando em call centers”

“Nunca vi nada igual. Cada esquina é um susto”. O desabafo é de Venilton Tadini, presidente-executivo da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB), em entrevista ao TUTAMÉIA (confira no vídeo acima). Para ele, “o país perdeu a sua estratégia de desenvolvimento”.
Na sua visão, há falta de investimento e os grandes projeto estruturantes terminaram nos anos 1980. Depois, diz, houve uma política de “abrir por abrir. A consequência foi uma enorme desnacionalização”. Mais: “Vivemos uma falta de projetos e de estratégia, que acabou na década de 1970. Estamos patinando desde os anos 80, só tratando de estabilização”.
Nesta entrevista, ele discorre sobre os erros de políticas econômicas, a começar pela cambial. Fala sobre o processo de desindustrialização precoce do país e defende o investimento na manufatura, agregando valor à produção –e aos salários. Compara as trajetórias de outros países com o Brasil e rebate análises que alegam ver a indústria fora de moda, superada pelo setor terciário.
“Você é capaz de criar um exército de PhDs para ficar no call center. Ter um conjunto de doutores para ser garçons ou atendentes de call center não é que se deseja. A indústria ficou madura em outros países. Nós nem chegamos para dar esse salto e estamos recuando. Há uma desindustrialização precoce”, afirma.


Tadini advoga o papel do estado como “absolutamente fundamental”. Critica a “demonização das empresas” a propósito da Lava Jato e compara a destruição das companhias brasileiras às medidas de salvamento ocorridas em diversas fases da história nos EUA e na Europa. “Aqui fizemos pior tratamento possível. Não saem acordos de leniência, o que traz insegurança jurídica”.
Para ele, “a crise política causa insegurança, instabilidade, incerteza, o que deprime investimentos para qualquer taxa de juros. Você pode colocar dinheiro de graça que ninguém vai tomar para investir, absolutamente insegurança com o que vem pela frente”.
“Eu estou torcendo para a indústria porque se eu não souber o que é minha estratégia de desenvolvimento, não vou saber para onde eu vou, quais serão meus mercados e quais produtos vou trabalhar”, declara. E mais:
“Na crise de 1929, quando havia uma discussão grande entre o Keynes [John Maynard Keynes, 1883 – 1946] e o Hayek [Friedrich Hayek, 1899 – 1992], o Friedman [Milton Friedman, 1912- 2006] se posicionou a favor do Keynes. Mesmo os monetaristas e os ortodoxos de boa lavra sabem que em vários momentos, seja por falha do mercado, ou seja por momento de incertezas, o Estado tem que ser forte sempre”.

Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena

1 comment

  1. luiz francisco da cruz 22 setembro, 2018 at 12:48 Responder

    PRODUZIR É CRIME: Num país que não valoriza o trabalho nem defende os direitos fundamentais,é dificil entender como chegaremos a um futuro promissor para todos,a elite não entende de direitos nem de dignidade,soberania só para os ricos.Isto é escravidão da pior especie,temos que mudar a cabeça de quem poder decidir o que é barbarie e o que representa direitos sociais,independente de conceitos.O brasil tem que voltar a sêr o país do futuro.

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