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Lamarca, desafinando o coro dos contentes

No último dia 17 se completaram 47 anos do assassinato de Carlos Lamarca e Zequinha Barreto no sertão da Bahia. O capitão, de vida breve, deixou sua marca na história do Brasil e no imaginário dos brasileiros, como mostra o tetxo abaixo, da jornalista Fernanda Pompeu. O vídeo acima traz trechos de um evento que nós organizamos em outubro do ano passado, nos 80 anos do nascimento de Carlos Lamarca.

Um certo capitão e um poeta do Piauí

A frase do título é verso de Torquato Neto (1944-1972). Poeta que em sua brevíssima vida desafinou as mesmices do redigir. O cara experimentou para valer e pôs a alma para fora. Salve, menino Torquato! O craque da máquina de escrever.

Foi pensando no poeta e letrista piauense que me recordei do carioca Carlos Lamarca (1937-1971). Não que os dois (que eu saiba) tivessem afinidades ideológicas.

De certo, o primeiro estaria mais para o caos criativo do que para a sonhada nova ordem do segundo. Mas o que os aproxima, na minha memória, é justamente o desejo – transformado em ação – de desafinar o status quo.

Lamarca, capitão do Exército, poderia ter vivido numa boa no Brasil comandando por seus colegas de farda. No entanto por não concordar com a ditadura, nem com o capitalismo, tramou um assalto de armamentos no quartel de Quitaúna, Osasco, São Paulo. E entrou em cheio na clandestinidade e na luta armada.

Parece evidente que a semelhança entre os dois acaba por aqui. Será? Lamarca optou pelas armas como forma de derrotar os ditadores e entrar para a História. Torquato optou por se matar como forma de pular fora da História. No seu bilhete de suicida, ele escreveu: Para mim chega!

O fim dois se deu sob o chumbo da mesma época. O líder guerrilheiro foi assassinado por militares em Brotas de Macaúbas, interior da Bahia, em 1971. Um ano depois, no Rio de Janeiro, Torquato Neto acendeu o gás no banheiro de sua casa.

Lembro bem do começo dos anos 1970. Adolescente, regava mil sonhos, entre eles, o da liberdade de expressão e manifestação. Tudo o que então eu sabia sobre regimes democráticos era narrado pelo meu pai, militante do Partidão e louco pelo socialismo.

Se alguém perguntar se guardo boas recordações dessa época, direi que sim e que não. A parte negativa é óbvia, pois foi horrível ser jovem debaixo da repressão a ideias e informações. A parte positiva era a crença vívida de que haveria um futuro mais justo e mais afinado. (texto Fernanda Pompeu, arte Fernando Carvall)

Rodolfo Lucena

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