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Coluna do Aquiles analisa CD de Laila Garin e A Roda

LAILA SOBERANA

por Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

Talvez você conheça a atriz Laila Garin por sua atuação no musical “Elis, A Musical”. Só que, além de atriz de primeira, Laila é uma cantora diferençada.

Laila Garin e A Roda (MP,B / Som Livre) é o seu primeiro CD. Com oito faixas, ela e o trio A Roda – integrado por Ricco Viana (guitarra e violão), Marcelo Müller (baixo) e Rick De La Torre (bateria) – obtêm tal atmosfera, que a sonoridade de timbres e tessituras bem traduzem as suas concepções poética, melódica e rítmica.

Os quatro dão-se ao repertório com a energia dos amadores – os que amam o que fazem –, alternando músicas já conhecidas com composições de autores da nova geração.

Produzida por Nelson Motta e Rodrigo Campelo, Laila Garin canta com voz levemente anasalada, divisões apropriadas, respiração bem colocada e emoção fluindo garganta afora.

Ela e A Roda são uma fábrica de improvisos, afinação, divisões e falsetes exatos, além de uma correta avaliação de como voz, guitarra, batera e baixo têm de soar. Algumas vezes os riffs vêm brutos, noutras, suaves, mas sempre coesos. E assim subtraem a passividade do ouvinte, espicaçando-o para que ele se dê à música.

“As Curvas da Estrada de Santos” tem arranjo que amplifica a pegada roqueira de Roberto e Erasmo Carlos. A intro é da guitarra. Até que, após o arranjo se tornar arritmo, rola um final grandioso.

“Não Me Arrependo” (Caetano Veloso) vem pelo canto delicado de Laila e pelo baixo que pontua. A Roda propõe nova levada roqueira. Chama a atenção a afinação mais frouxa do bumbo da batera, realçada pela mixagem – nada mais roquenrrol.

“Não Me Deixe” (Juliana Holanda), uma das belas do disco, tem letra que Laila trata com verve de atriz e finura de cantora. O trio vem numa pegada viril, o que dá à cantora o prazer de emocionar a interpretação, detonando os versos em mil fragmentos: e Laila reina.

Em “Baioque”, noutro arranjo explosivo do trio, Laila reforça a fortaleza de seu canto e dá à música de Chico Buarque ainda mais lirismo. Chico deve ter gostado.

“Sonhos Pintados de Azul” (Dani Black), outra bela música de um jovem compositor, tem intro com A Roda. A voz de Laila passa confiante pelas notas mais agudas e pelo duo com Marcelo Müller. A dinâmica do trio a leva para a roda de fogo, e juntos ardem canção adentro.

“Na Primeira Manhã” (Alceu Valença) tem início com Laila cantando suave. A música vai ganhando mais e mais delicadeza. A suavidade não dá pinta, mas já dá para pressentir a hora em que o roquenrrol reavivará. Com os instrumentos acentuando o tempo forte dos compassos, os grooves sobrevêm. Laila retoma o canto… Meu Deus!

A letra de “Flor da Ilusão” (Renato Luciano) fala: “A abelha do pavor me picou/ Depois que a solidão me espremeu (…)”. Laila arrasa, enquanto a batera se destaca nos rufos.

“L’Acordeoniste” (Michel Emer) tem apenas voz e baixo com arco, alternando compassos ritmados com outros arritmos. Laila é cantora… e mais ainda, mulher. Coisa de quem sabe o que quer e domina o fazer.

 

Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena

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