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Agressão contra Lula foi atentado, diz PT

O ataque foi realizado de forma articulada e coordenada, em etapas sucessivas e imediatas. Um primeiro grupo danificou os parabrisas. Na sequência, outro jogou ovos, turvando a visão do motorista. Em seguida, foram arremessadas pedras. Uma delas estourou o vidro do motorista. Dentro do veículo estava o presidente Lula. Os dois outros ônibus da caravana foram também atingidos; um deles teve duas trincas nos vidros da frente. Um veículo da escolta teve o retrovisor destruído. Ninguém se feriu.

A agressão foi perpetrada por cerca de 50 pessoas em trevo próximo ao acesso de São Miguel do Oeste (SC) neste domingo, 25/3. A Polícia Militar nada fez para conter a violência; apenas observou o vandalismo. Trezentos metros adiante do local do ataque, um grupo de policiais estava parado no acostamento, sem ação. Um ônibus com militantes do MST que participam da caravana com o presidente foi impedido pela polícia de permanecer no trevo.

Agressores atuam livremente contra ônibus da comitiva

“Foi um atentado criminoso, uma ação criminosa de milícia fascista”, definiu o deputado Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara dos Deputados, para quem “poderia ter acontecido uma tragédia”. Ele condenou a falta de ação da polícia na garantia da integridade física do presidente e de sua caravana. Na sua avaliação, houve “condescendência, em alguns casos cumplicidade” por parte da PM.

Pimenta classificou o episódio como “gravíssimo” e advertiu que está aberto um precedente perigoso. Afirmou que voltou a cobrar das autoridades federais e estaduais a responsabilidade pela segurança do presidente Lula.  

Pimenta destacou que os ataques vem sendo articulados pelas mesmas pessoas, afirmando que há um grupo, jáindentificado, que vem acompanhando o percurso da caravana, chegando aos locais com entecipação para preparar a violência. MBL e seguidores de Bolsonaro foram citados por Pimenta.

À noite, em São Miguel do Oeste (SC), o palanque da caravana foi atingido por ovos jogados de um prédio. Um copo de vidro também foi arremessado contra a multidão. Ninguém se feriu, e o ato continuou normalmente, com grande participação de um público entusiasmado.

 

Assessores abriram dois guarda-chuvas para proteger o presidente, que discursou normalmente no palco, fazendo sua habitual caminhada entre as pontas do tablado. Lula chamou os agressores de “canalhas” e declarou:

“Haverá um dia em que esse filho da mãe vai cair numa desgraça tão grande que ele vai implorar para ter um ovo para comer, e vai ter só a casca para comer”.

“Esse cidadão está esperando que a gente fique nervoso, suba lá e dê uma surra nele. A gente não vai fazer isso”. E acrescentou: “Eu espero que a PM tenha a responsabilidade de entrar naquela casa, pegar esse canalha e dar um corretivo nele, que ele precisa ter para não atacar ovo nas pessoas.”

Os ataques com ovos durante o ato da noite começaram quando falava a presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Ela chamou os agressores de covardes e foi aplaudida pela população. Em seu discurso, Paulo Pimenta declarou:

“É só ir buscar. Os bandidos já foram identificados e têm de responder por isso. Isso não é ação política, isso não é disputa de ideias. Estas pessoas Luiz Crestane, Rafael Link e Leonardo Link são parte da coordenação criminosa. Se já fugiram daqui, é fácil de achar: estão lá em Palma Sola [a 80 km de S. Miguel do Oeste], escondidos. Eu espero que a polícia de Santa Catarina tenha responsabilidade e trate esse fato com a gravidade que ele tem. Atacar essa caravana, de forma covarde, colocando em risco a vida de todas as pessoas, entre eles um ex-presidente da República, não é um fato que pode ser tratado  como algo qualquer. Por isso está aqui o boletim de ocorrência. Cabe agora à polícia fazer a sua parte e responsabilizar os criminosos”.

Falando depois, Lula disse que os agressores que atiravam ovos do alto do prédio às escuras são “canalhas que se escondem na escuridão”. Chamou os que o atacam de “imbecis” e que têm “fama de bandido histórica. “Não se sabe como compraram propriedades no Mato Grosso, no Acre”.

Recepção a Lula em Nova Erechim teve apresentações de músicas regionais

A qualidade do trabalho da escolta policial em Santa Catarina tem sido inferior à apresentada no Rio Grande do Sul. Na nossa observação, está mais descuidada, displicente.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, em rodovias de duas mãos, os batedores da Brigada fechavam o trânsito na pista oposta, impedindo que carros alheios ao grupo circulassem em paralelo. Isso não vem sendo feito nas estradas catarinenses, onde a polícia nem sempre tem fechado o trânsito nos trevos para tormar mais escorreita a passagem do comboio de Lula.

Em Chapecó, a PM não só não protegeu a comitiva do ex-presidente como também impediu que a segurança da caravana agisse. “Quando eles [as milícias fascistas] cercaram o hotel onde estava o presidente, a polícia não deixou que a equipe de segurança da caravana interviesse”, disse Paulo Pimenta, completando: “Então ficamos sem a nossa segurança, e a polícia também não vinha. Nos botaram numa ratoeira”.

Nas estradas, o policiamento de Santa Catarina tem falhado na prevenção de incidentes, permitindo que trevos sejam ocupados por baderneiros, como ocorreu no acesso a São Miguel do Oeste.

Jovens fazem apresentação durante visita de Lula à Cooperoeste

Em contrapartida, o policiamento na cidade, onde  à noite foi realizada manifestação de apoio ao direito de Lula ser candidato à presidência da República, teve atuação bastante correta, o que contribuiu para que o ato fosse realizado em paz, com grande participação de mulheres e crianças.

Foi a última atividade do ex-presidente num dia dedicado aos movimentos populares. Desde cedo, Lula percorreu propriedades e entidades ligadas aos movimentos de pequenos agricultores, da agricultura familiar e da agroecologia em Nova Erechim e em São Miguel do Oeste. Incorporou o uso do boné do MST e repetiu a sua promessa de completar definitivamente a reforma agrária no país.

Lula falou dos preços achatados pagos aos produtores rurais. Defendeu que os agricultores não fiquem “reféns do mercado”. Para isso, afirmou que é essencial a presença do Estado.

  

Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena

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